quinta-feira, 6 de junho de 2013

O LIVRO DA POESIA

                                      POESIA DE : Antonio nobre.
                      ofereço esta poesia ao meu bisneto João Pedro

                                                O SONO DE JOÃO

O João dorme ... ( ó Maria. Dize aquela cotovia
Que fale mais devagar:  Não vá o João acordar...
                                          --
Tem só um palmo de altura. E nem meio de largura
Para o amigo orangotango. O João seria um morango!
Podia engoli-lo um leão.  Quando nasce! as pombas são
Um poucochinho maiores ... Mas os astros são menores!

João dorme ... Que regalo!  Deixai-o dormir, deixai-o
Calai-vos, águas do moinho! Ó mar! fala mais baixinho
E tu mãe! e tu Maria!  Pede aquela cotovia
Que fale mais devagar, não vá o João, acordar...

O João dorme, o inocente!  Dorme dorme eternamente
Teu calmo sono profundo! Não acordes para o mundo
Pode levar-te a maré; Tu mal sabes o que isto é

Ó mãe canta-lhe a canção, Os versos do teu irmão
Na vida que a dor povoa, há só uma coisa boa
Que é dormir, dormir, dormir... tudo vai sem se sentir

Deixa-o dormir, até ser!  Um velhinho... até morrer

E tu velo-á crescendo  A teu lado (estou o vendo
João! que rapaz tão lindo!) Mas sempre , sempre dormindo...
Depois um dia virá  Que (dormindo) passará
Do berço, onde agora dorme, para outro, grande, enorme
E as pombas que eram maiores que João ... ficarão menores

Mas para isso ó Maria! Dize aquela cotovia
Que fale mais devagar; não vá o João acordar

E os anos irão passando, Depois, já velhinho, quando
(Seras velhinha também) Perder a cor que, hoje, tem,
Perder as cores vermelhas , e for cheiinho de engelhas,
Morrerá sem o sentir, Isto é, deixa de dormir; 
Acorda e regressa ao seio. De Deus, que é d´onde ele veio...

Mas para isso, ó Maria! Pede aquela cotovia
Que fale mais devagar; Não vá o João, acordar...














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